TÍTULO ORIGINAL: A Scanner Darkly
AUTOR: Philip K. Dick
GÊNERO: Ficção
EDITORA: Aleph
ANO DE LANÇAMENTO: 2016
NÚMERO DE PÁGINAS: 352

SINOPSE: Arctor/Fred, um agente disfarçado, é obrigado a esconder sua verdadeira identidade tanto dos que convivem com ele no cotidiano dos usuários de substâncias ilícitas como de seus colegas policiais. No entanto, o trabalho de agente infiltrado para a divisão de narcóticos pode cobrar seu preço: ele acaba viciado em uma droga psicotrópica perigosa e muitas vezes letal, a Substância D. Um dos mais terríveis efeitos colaterais da substância é a cisão entre o dois hemisférios do cérebro, que passam a agir de forma independente, por vezes até "competitiva" entre si. Ambas a identidades, a de viciado e a de policial, podem levar o protagonista aos limites entre a realidade e a ilusão, em que paira a dúvida a respeito do verdadeiro "eu".

Uau!!! Que livro complexo! Pelo menos para mim foi uma leitura complicada, que exigiu muita atenção e paciência. Apesar de não ter muitas páginas, demorei mais de uma semana para terminar. Esse mundo vivido por usuário de drogas realmente nos leva a refletir.

"Imagine ser senciente, mas sem estar vivo. Enxergar e até mesmo saber, mas sem estar vivo. Só olhando para fora. Reconhecendo as coisas, mas sem estar vivo. Uma pessoa pode morrer e continuar assim. Às vezes, aquilo que está te olhando através dos olhos de uma pessoa pode ter morrido lá atrás, na infância. O que está morto ali dentro ainda olha para fora. Não é apenas o corpo olhando para você sem nada dentro; ainda tem alguma coisa ali, mas essa coisa morreu e fica só olhando; não consegue parar de olhar." (página 281)

Essa é uma das passagens mais fortes do livro. São muitas, mas essa me chamou bastante a atenção, pois resume o estado que uma pessoa sob o efeito de substâncias químicas letais pode atingir.

Foi o meu primeiro contato com uma obra do autor, que também escreveu o livro, que inspirou o filme Blade Runner, dos anos 80 (e que eu ainda não assisti, vergonha), chamado Do Androids Dream of Electric Sheep?. De início pensei que esse cara fosse bem doido para conseguir descrever com tamanha realidade as sensações dos dependentes químicos mas depois, lendo sobre ele, verifiquei que essa história é, em parte, autobiográfica.

A abertura do livro mostra a cena onde Charles Freck e Jerry Fabin (dois colegas de Arctor) acreditam estar infestados com piolho, e que os dois tentam capturá-los em potes de vidro para levá-los para exames médicos. Essa cena já me horrorizou e percebi que seria uma leitura pesada e que me faria pensar.

Fred/Bob Arctor está infiltrado em uma casa com outros traficantes/usuários de substância D (e outras drogas) para realizar sua investigação mas acaba alastrando sua atuação como drogado para sua vida de agente policial. Através da utilização de um "traje borrador" seus colegas de polícia não conhecem sua aparência e ele, devido à utilização de Substância D, eventualmente deixa de se conhecer também. Percebe-se ao longo da história que Fred se confunde ao assistir as fitas gravadas em sua casa para a investigação, e não se lembra ser Bob Arctor, pensando que ele é uma terceira pessoa. Suas identidades já não são claras em sua cabeça até que ele chega ao um ponto triste.

Realmente foi uma leitura muito angustiante e complexa, mas ao mesmo tempo, reflexiva. Adorei entrar no mundo de Dick. Um Reflexo na Escuridão foi adaptado para o cinema em 2006, pelo diretor Richard Linklater, recebendo no Brasil o nome de O Homem Duplo, que eu quero muito assistir.

Para quem não sabe ainda, o filme genial O Vingador do Futuro (esse eu assisti!) foi baseado no conto de Dick, We Can Remember It For You Wholesale (que eu não li, rsrs). Quem ainda não assistiu, corre! Eu assisti a versão de 1990 que teve nova roupagem em 2012.

Vale a pena a leitura, recomendo muito pois me fez ter muita vontade de ler as outras obras do autor!!

Beijos e até a próxima!!!

12 Comentários

  1. Eu não li nada do autor, mas tb já vi O Vingador do Futuro rsrs Pelo que entendi da resenha é um livro incrível, é sempre bom ler ago que nos instiga e nos faz refletir. E essa capa? Meus Deus não consigo parar de olhar! Já estou até tonta rsrsrsrs

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Todas as capas dos livros desse autor, feitos pela editora Aleph, são nesse estilo. Nos deixam tontas mesmo! Rsrs
      Bjs

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  2. Bom mm. ..vou ler. ..na fila por aqui...bjss...marga

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  3. Que capa maravilhosa, adorei a dica, parece ser um livro instigante. ♥
    Art of life and books

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    1. É bem instigante sim. Vale a pena para reflexão.
      bjs

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  4. Oi Renata!
    Se foi complexo para você, imagina para mim? HAHHAHAHA
    Eu já fiquei meio perdida na sinopse, rs. Até porque não é algo que me atraia muito, infelizmente.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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    1. Uma pena!Pois a história no faz refletir bastante.
      bjs

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  5. Renata,
    a capa em si, já nós mostra um pouco do que o livro pode se tratar. Pela tua resenha, ele parece super complexo mesmo. Mas pra tratar de histórias assim, e além do mais, uma que por parte é autobiográfica, não tem como não ser uma história complexa. O assunto é delicado, ainda mais se tratando de algo em que o autor sabe como funciona e fez parte da vida dele.
    Esse livro realmente deve ser muito reflexivo, gostei muito da tua resenha.
    Beijão,
    radioactivebookss.blogspot.com.br

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    1. Muito obrigada, Jéssica!!! Espero tê-la sempre por aqui. Adorei seu blog e já estou seguindo!
      bjs

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